"...Ser João e Filomena..."
assim terminei o poema
que fiz em dupla com uma colega
que usava muletas,
e, que se destacava,
por não parecer se apoiar nelas...
Quantas vezes servi de muletas
para ouvir segredos alheios,
alheios a minha vontade de ouvi-los,
alheios a minha vontade de sabê-los,
interessada numa reciprocidade
que se esvaiu no tempo.
Rememoro todas as muletas que usei....
Pessoas cujos rastros não não vejo mais
Posturas que se perderam tempos atrás
Até livros marcados e riscados que já dei
Muletas e bengalas
Lentes e perucas
Bolsas grandes e sacolas de compras
Tantos artifícios para esconder
o que mais nem sei...
Ser João ou Filomena
ou ser um pouco parecida com essa colega
que tem muletas verdadeiras
para apoiar seus passos
mas não suas caminhadas.
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