A gérbera branca se destaca
diante da forma que deixa para trás,
Se desprende de uma moldura
rija, para se desbravar aonde não a
prendem mais.
Assim sinto ao pensar no homem velho,
cuja forma ainda insiste em existir,
como a lembrar que o local ainda está posto
para o homem novo que, de ser novo,
um dia pensar em desistir.
As cores do fundo ganham uma vida
própria para os meus olhos,
Talvez a artista não pensasse em homens
velhos e novos, e outros olhares vejam
significados diferentes do que pensei...
Mas, talvez ser artista seja algo assim:
inserir no mundo algo que ganha sentido no
mundo de cada um: o meio,
o começo e alguns fins.
o começo e alguns fins.
O novo se liberta do velho, e as pétalas
da gérbera se abrem para uma beleza, ainda
que efêmera, bela, e esperada por ser vivida.
O Velho continua presente, pelo menos
na moldura que formou, para que o Novo se
lembre sempre, que daquele lugar fixo, é ele
que deve se manter ausente.
O quadro é de Elza Oliveira (no facebook, Elza Feola).

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